domingo, 31 de janeiro de 2010

Abstinência

Sonhei com seu beijo.
Me encontrei imaginando você e um buquê de rosas na minha porta.
Pensei que queria todos os bons momentos de volta,
imediatamente entendi que eles não seriam nada sem os ruins.
Percebi que menti ao dizer pra mim mesma que esquecer você seria fácil
e que era verdade quando eu te disse que não saberia viver sem você.
Entendi que não poderia te ter de novo.
Perdi você.
Foi ai que senti uma tímida lágrima escapar.
Sinto falta do seu toque, sua mão caminhando carinhosamente em mim.
Daqueles momentos que você tentava segurar um sorriso em vão.
Dos traços do seu rosto, contorno da sua boca, sua pele, seu olhos.
Do seu cabelo sedoso e da sua maneira de mexer nele.
De ficar admirando sua mão, ainda que você se irritasse.
De te ouvir me elogiando, ainda que eu discordasse.
Da sua voz, com a qual você me dava sermões que eram pelo meu bem.
Dos seu braços, fortes na medida, que me envolviam com um abraço de saudade
capaz de acalmar o mundo e tudo que há nele.
Daquele olhar silencioso e silenciador, recheado de amor recíproco
Do teu cheiro, da tua preocupação, do teu cuidado, de tudo.
Sinto falta de você inteiramente.
Esta é a carta que eu nunca te enviei
e que não devo enviar.
Não quero te esquecer, mas não posso viver só de você.

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Suicidio assistido

Deixe-me cantar até minha voz acabar
Deixe-me tocar até meus dedos sangrarem
Deixe-me andar até não conseguir ficar de pé
Deixe-me chorar até não conseguir mais ficar acordada
Deixe-me jogar até não ter mais um centavo
Deixe-me beber até não saber o que estou fazendo
Deixe-me escalar até não conseguir não cair
Deixe-me comer até por tudo pra fora
Deixe-me nadar até que eu me afogue
Deixe-me dançar até ficar fora do compasso
Deixe-me beijar-te até minha boca secar
Deixe-me sentir saudade da vida que eu nunca tive
Deixe-me plenamente viver uma vida plena
Agora é hora de variar e morrer só depois de ter vivido